·°¯`·? Reflexões depois dos 30 ?·´¯°·

3.8.07

Apenas um aforismo...

Cris Carriconde






Apenas um aforismo...



O peso que carrego me torna cada vez mais leve



Rabiscado por Caila às 3:21 AM


14.7.07

...





Tristeza

Amplia o peito para que possa caber

inteira nele



Petrifica a alma

E me faz querer partir


Somente as reticências permanecem

Silenciosas

Aguardando que alguém dê continuidade

à obra

Rabiscado por Caila às 3:53 PM


12.2.07

El flujo del amor

El flujo del amor

Semáforo vermelho. Parou o carro acomodando-se em uma fila de veículos que se avolumava. Ohou pela janela displicente pensando em como atravessaria a cidade em quinze minutos para sua próxima reunião. Sempre morara em uma região central da cidade, mas após o casamento optara por um município vizinho mais tranqüilo e arborizado. Naquela manhã estava atrasada e ainda tinha que passar na casa de sua mãe antes de chegar ao seu destino.

No rádio, uma melodia suave embalou seu pensamento para longe. Lembrou do príncipe sentiu saudades da intensidade de outrora e desejou manipular o tempo para ao menos mais uma vez sentir seu cheiro. Ao seu lado sentia-se leve e aventureira. Tantas viagens não combinadas e surpresas que tivera! Juntos sempre divertiam-se muito. É verdade que nunca conseguira fazê-lo cumprir os horários combinados e nem estabelecer uma relação do tipo "almoço de domingo em família", mas pensava ser exatamente a instabilidade que o tornava tão atraente.

Orbitavam seus mundos tocando-se com uma intensidade que ela nunca havia experimentado e extasiados traçavam planos que nunca chegaram a concretizar.Por que ela tivera que optar? Pensou enquanto tentava distrair a dor que surgira em seu peito ao pela falta que o príncipe fazia.

Olhou pelo retrovisor aquela pele rosada em traço perfeitos adormecidos na cadeirinha e sorriu. Permitiu-se relaxar no banco feliz por seu marido e a vida que juntos construiam. Arrumou os cabelos e em voz alta deixou escapar:

- Príncipes jamais têm filhos, eis minha respota!

Semáforo verde, seguiu com o carro assim como fizera com sua vida!



"Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
a porta da sua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai, que saudade d'ocê"
Geraldo Azevedo

Rabiscado por Caila às 6:02 AM


26.11.06

Luzes

Ana Ravazzolo, Árvore

Azul
Vermelho
Verde
Amarelo...

Azul
Vermelho
Verde
...

Pifou o amarelo
Puxa, troca, ajeita, começa novamente
Azul
Vermelho
Verde
Amarelo...

Pisca
meu coração
na árvore de natal

Rabiscado por Caila às 9:59 AM


14.11.06

Entardeço

Ana Ravazzolo, Entardecer de primavera

Corpo frágil
Alma a postos
Gira mundo
Em minha compressão
Não mais o trem errado
Mas a coluna em desalinho
que avisa a nova estação
Logo ali
Os lilases das flores miúdas
Recordam-me o quanto gosto das janelas
Do amanhecer e do apagar das luzes
Mundo gira
Fecho os olhos
Adormeço

Rabiscado por Caila às 6:04 PM


5.11.06

Classe

Estação, Weberson Santiago

Não tenho forças para imaginar
Que talvez tenha sido um erro
Ficar nessa estação
Esperando pelo mesmo trem

E

Por fim

Insistir na viagem de terceira classe

Rabiscado por Caila às 2:47 PM


17.9.06

Meninos iguais, violências diferentes

Diego Riveira, Espalda

A professora sai de casa às 6h20min todas as manhãs. Em sua bolsa, além dos pertences habituais, a responsabilidade de incitar o desejo pela aprendizagem em seus alunos da periferia de Porto Alegre para que não criminalizem suas vidas e para que sejam retos em suas escolhas. Na última terça-feira enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus observou ao longe uma imensa bandeira de seu Estado anunciando as festividades no acampamento Farroupilha. Orgulhou-se.

Iniciaria um devaneio otimista acerca da vida se seus pensamentos não fossem duramente interrompidos por dois meninos - iguais a todos os outros - fitavam seus olhos pronunciando palavras fortes enquanto lhe surravam e pressionavam o cano prateado de uma arma contra seu corpo. Rapidamente levaram seus pertences e desapareceram na neblina correndo em direção ao brasão rio-grandense: tão iguais a todos os meninos que já conhecera, tão diferentes de todos que já a abordaram.

Recorreu algumas horas mais tarde à Oitava Delegacia de Polícia. Já em outro bairro, pois muito assustada preferiu passar o resto do dia na companhia de sua mãe e irmã. Lá pemaneceu aguardando o inspetor sentada, nervosa, em silêncio. Passadas quase duas horas o profissional da segurança aponta de dentro de sua sala em direção a ela e dirigindo-se a recepcionista fala em voz bastante alta: "Aquela ali não vou atender porque nem é da região e tá na hora do meu almoço".

Como não atender em hora de almoço se Delegacias mantém plantão vinte e quatro horas? Como não receber alguém que acaba de ser assaltado?

Eis que a cidadã, de filiação conhecida, CPF em estado regular, princípios éticos e políticos e ampla formação profissional se torna "aquela ali" e sente-se novamente violentada. Desta vez não por aqueles que estão a margem por disfuncionalidade emocional ou por conjuntura social, mas por um agente da segurança alguém com responsabilidades além das profissionais e que apesar disto a relega e a aliena de um direito básico sem sequer dirigir-lhe a palavra. Qual a maior violência?

Rabiscado por Caila às 5:34 AM


MEU HUMOR

Quase semprebem humorada
PERFIL

CAÍLA
ANA CAROLINA

Gaúcha de Porto Alegre, 36 anos.Psicóloga e Professora. Gosto de livros, cinema e vídeo. Amigos, longas conversas, animais e viver bem!


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